PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO AMBIENTAL DAS EMPRESAS
PROJETO FINEP


         Um dos grandes desafios para o começo de operação da Central de Resíduos Sólidos do bairro Roselândia, unidade operacional 1 da Fundamental foi a troca de paradigma.

         Há muitos anos que as empresas geradoras de resíduos misturavam e empilhavam suas sobras e restantes dos processos industriais e remetiam para valas na antiga central de lomba Grande. Havia honrosas exceções, empresas que haviam se adiantado em função de programas de qualificação e normatização internos e que já tinham alcançado expressivos avanços na gestão dos resíduos sólidos.

         Mas esta não era a realidade da maioria das empresas. A central da Roselândia previa em seu projeto ações de minimização de geração de resíduos dentro das empresas, elaboração de balanços de massa, normatizações internas, segregação dos resíduos na origem, reutilização sempre que possível, envio dos materiais separados aos recicladores, e por fim, adequado acondicionamento e envio para a Central de Resíduos da Roselândia.

         Todo este processo significou uma mudança de cultura, uma profunda alteração de paradigma dentro das rotinas produtivas das empresas. Algumas organizações perceberam rapidamente que estas mudanças traziam embutidas grandes oportunidades de racionalização no uso de matérias-primas e energia e possibilidades de engajamento do quadro de colaboradores nos ganhos advindos da otimização do sistema e da reutilização e reciclagem dos materiais.

         Outras organizações apenas objetivaram se adequar a normas ambientais novas e a uma evolução no tratamento dos resíduos.

         Resultante da concepção de caminhar em direção a parâmetros de desenvolvimento sustentável, a Fundamental logo elaborou uma norma de recepção de resíduos. A norma foi elaborada em conjunto com todos os setores envolvidos: Secretaria Municipal do Meio Ambiente e as empresas usuárias à Fundamental, divididas nos 5 principais grupos de empresas identificados na região: coureiro, calçadista, metalúrgico, químico e componentes.

         A seguir, a Fundamental em perceria com a ACI buscaram viabilizar um projeto junto à FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos, para que as empresas usuárias da nova central fossem assistidas através de treinamento teórico e prático em questões legais e operacionais, visando atingir as metas propostas pela Fundamental para a Central da Roselândia.

         Obtidos os recursos, foram estabelecidas parcerias com o Centro Tecnológico do Calçado, do Couro e Afins (CTCCA), com o Centro Universitário FEEVALE e com o Centro Tecnológico do Calçado do SENAI (Serviço Nacional da Indústria) para efetuar o treinamento das empresas através de “workshops” e consultorias no local, sob a supervisão técnica geral da Fundamental, exercida pelo coordenador técnico da Fundamental, Dr. Roberto Naime.

         O projeto se desenvolveu durante 22 meses, sendo visitado por quadros técnicos da FINEP e de outras entidades, e tendo recebido aprovação e atingido objetivos mensuráveis e muito relevantes.

         O total de segregação dos materiais hoje situa-se próximo a 100%, a diminuição do volume de resíduos, embora oscilando muito entre as empresas, situa-se em faixas de 10% a 30%, e os processos de acondicionamento adequado dos couros e secagem dos lodos das ETES, fez com que o volume médio de chorume que atingia a cerca de 400.000l/mes na Central da Lomba Grande, fosse reduzido para menos de 5.000l/mês na Central da Roselândia.

         Enquanto os volumes de chorume da Central da Lomba Grande implicam em grandes valores para o tratamento de efluentes, até hoje, o pequeno volume de chorume da Central da Roselândia é solucionado com ações de recirculação do chorume sobre o lodo, que propicia sua evapotranspiração, com decantação dos resíduos sólidos eliminando a necessidade de gastos com tratamento de efluentes.

         A operação da primeira unidade de disposição de resíduos, situada no bairro Roselândia, trouxe um marco de evolução a nível nacional, com a entidade recebendo prêmios pela sua destacada atuação no setor.

         E mais que isso, criou novos paradigmas, saindo de uma operação restrita, em uma antiga central privada, onde as empresas misturavam e dispunham todos os resíduos de forma inadequada, para a operação de uma central padrão a nível nacional e que recebe permanente reconhecimento pela sua excelência.

         Isto não significa declarar que tudo funciona perfeitamente, no limite do possível, pois muito deve ser melhorado e aperfeiçoado, tanto na disposição, quanto na melhoria dos índices de reutilização e reciclagem

         Mas, sem dúvida, significa evolução, implantação e consolidação de um novo marco, a partir do qual, grandes avanços poderão ser implementados nos próximos anos.

         E sem exagerar na atribuição de créditos, certamente o grande investimento realizado pelo setor empresarial de NH juntamente com a PMNH e ACI-NH-CB-EV na central, não teria obtido o desempenho que apresenta, sem o valioso programa de treinamento e capacitação patrocinado pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) através da Capacitação Ambiental das Organizações de Novo Hamburgo e Região, com vistas à Minimização da Geração de Resíduos Sólidos Industriais e Reaproveitamento como Destinação Final.

         Desta parceria com a FINEP, fica a certeza de que esta foi uma ação inicial de um trabalho conjunto que trará grandes resultados e evoluções para a melhoria da qualidade de vida das populações e preservação do meio-ambiente em projetos futuros.




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